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Ansiedade no Brasil: por que está tão difícil desacelerar e o que a ciência explica sobre o prazer e o cérebro.

Foto do escritor: Fabiele Fabi
Fabiele Fabi
11 de abr.
4 min de leitura

Entenda por que a ansiedade no Brasil é tão alta e como o excesso de estímulos afeta o cérebro, o prazer e a saúde mental da mulher.

Entenda por que a ansiedade no Brasil é tão alta e como o excesso de estímulos afeta o cérebro, o prazer e a saúde mental da mulher.
Entenda por que a ansiedade no Brasil é tão alta e como o excesso de estímulos afeta o cérebro, o prazer e a saúde mental da mulher.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com maior índice de ansiedade do mundo, com cerca de 9,3% da população (aproximadamente 18,6 milhões de pessoas) vivendo com transtornos de ansiedade.

Esse dado, por si só, já acende um alerta.

Mas quando olhamos com mais profundidade, percebemos que a ansiedade não surge isoladamente. Ela é resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais — especialmente no contexto atual.

E, quando falamos da saúde mental da mulher, esse cenário se torna ainda mais complexo.

🌍Por que a ansiedade está tão alta no Brasil?

Diversos fatores contribuem para o aumento da ansiedade, incluindo:

  • desigualdade social

  • desemprego

  • instabilidade econômica

  • insegurança social

Esses elementos criam um ambiente de incerteza constante, que ativa o sistema de alerta do organismo.

Do ponto de vista da psicologia e da psiquiatria, viver em um estado contínuo de imprevisibilidade aumenta significativamente o risco de transtornos ansiosos.

👉 O cérebro humano não foi projetado para lidar com ameaça constante — e é exatamente isso que muitos contextos sociais produzem.

🧠O papel do cérebro: o que é o sistema dopaminérgico?

Para entender por que está tão difícil controlar a ansiedade, é importante olhar para o cérebro.

O sistema dopaminérgico está diretamente relacionado a:

  • motivação

  • prazer

  • recompensa

Segundo pesquisas em neurociência, a dopamina não está ligada apenas ao prazer em si, mas à antecipação da recompensa.

No entanto, esse sistema pode ser profundamente impactado pelo estilo de vida contemporâneo.

Excesso de estímulos e a “dessensibilização do prazer”

Vivemos em uma era de estímulos intensos e constantes:

  • alimentos ultraprocessados

  • redes sociais

  • acesso imediato à informação

  • consumo rápido de entretenimento

  • padrões estéticos irreais

Essas experiências são altamente estimulantes e liberam grandes quantidades de dopamina.

Estudos mostram que a exposição frequente a estímulos de alta intensidade pode levar à chamada dessensibilização dopaminérgica.

👉 Isso significa que o cérebro passa a precisar de estímulos cada vez maiores para sentir prazer.

Como consequência:

  • atividades simples perdem o valor

  • o cotidiano parece tedioso

  • a sensação de insatisfação aumenta

🌿 Por que a vida “comum” parece insuficiente?

Quando o cérebro se acostuma a níveis elevados de estímulo, experiências simples — como:

  • uma conversa tranquila

  • uma caminhada

  • o contato com a natureza

  • o descanso

passam a ser percebidas como pouco gratificantes.

Do ponto de vista antropológico, isso representa uma ruptura importante.

Historicamente, o prazer humano estava ligado a experiências relacionais, sensoriais e naturais.

Hoje, grande parte dessas referências foi substituída por experiências mediadas pelo consumo.

👉 O problema não é o prazer em si —mas o tipo de prazer que se tornou dominante.

🧠 Ansiedade, tédio e busca constante por estímulo

Esse cenário cria um ciclo:

  1. exposição a estímulos intensos

  2. redução da sensibilidade ao prazer

  3. aumento da sensação de vazio ou tédio

  4. busca por mais estímulo

Esse ciclo está diretamente relacionado ao aumento da ansiedade.

Porque, ao mesmo tempo em que buscamos prazer, o cérebro permanece em estado de ativação constante.

💡 E um cérebro constantemente ativado tem mais dificuldade de relaxar.

🌸 O impacto na saúde mental da mulher.

Para as mulheres, esse cenário se soma a fatores já conhecidos:

  • sobrecarga emocional

  • múltiplos papéis (profissional, familiar, relacional)

  • pressão estética e social

  • necessidade de desempenho constante

Isso significa que muitas mulheres vivem em um estado contínuo de:

👉 exigência + estímulo + sobrecarga

O resultado é um terreno fértil para:

  • ansiedade

  • exaustão emocional

  • sensação de insuficiência

🌱 É possível reeducar o cérebro para o prazer?

Sim — e esse é um ponto fundamental.

A neurociência mostra que o cérebro é plástico, ou seja, ele pode se reorganizar.

Isso envolve um processo de reeducação do sistema dopaminérgico, que inclui:

✨ Redução de estímulos excessivos

Diminuir o consumo constante de conteúdos e recompensas rápidas.

✨ Valorização de experiências simples

Retomar o prazer em:

  • relações presenciais

  • natureza

  • descanso

  • atividades sem produtividade

✨ Presença e consciência

Estar mais conectada ao momento presente reduz a hiperativação mental.

✨ Construção de novos hábitos

O prazer saudável precisa ser reaprendido — não imposto.

🧠O papel da psicoterapia nesse processo

A psicoterapia pode ser um espaço essencial para:

  • compreender padrões de comportamento

  • identificar fontes de sobrecarga

  • reorganizar a relação com prazer e produtividade

  • desenvolver regulação emocional

Mais do que reduzir sintomas, a terapia ajuda a construir uma vida com mais sentido e menos urgência.

🤍 CONCLUSÃO

A ansiedade não é apenas uma questão individual.

Ela é, em grande parte, reflexo de um mundo que exige mais, acelera mais e oferece prazeres cada vez mais intensos — e menos sustentáveis.

✨ Talvez o problema não seja que você não consegue desacelerar.✨ Mas que o mundo ao seu redor não te ensina como fazer isso.

E, nesse contexto, reaprender o prazer nas pequenas coisas pode ser um dos caminhos mais potentes de cuidado com a saúde mental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Organização Mundial da Saúde (2017). Depression and Other Common Mental Disorders

  • Robert M. Sapolsky (2004). Why Zebras Don’t Get Ulcers

  • Anna Lembke (2021). Dopamine Nation: Finding Balance in the Age of Indulgence

  • Kent C. Berridge (2007). The debate over dopamine’s role in reward

  • Daniel Kahneman (2011). Thinking, Fast and Slow

  • American Psychiatric Association (2013). DSM-5

  • World Bank (dados sobre desigualdade e saúde mental)

  • OECD (dados sobre bem-estar e qualidade de vida)


 
 
 

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Fabiele Goulart CRP: 07/31453

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